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Preços globais de lácteos devem reagir em 2024, acredita Embrapa
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Preços globais de lácteos devem reagir em 2024, acredita Embrapa - Revisa Centri
Preços globais de lácteos devem reagir em 2024, acredita Embrapa

Depois de amargar mais um ano de queda de rentabilidade devido à grande oferta de lácteos no Brasil, com o aumento das importações, e à conjuntura internacional desfavorável que derrubou os preços globais, o setor produtivo de leite brasileiro pode começar a enxergar o fim da crise cada vez mais próximo e a considerar um cenário de mercado mais equilibrado em 2024.

A aposta de especialistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é que as cotações do produto vão reagir no mercado mundial neste ano e as compras externas do Brasil devem ser mais comedidas no período. O desafio, apontam os pesquisadores, é incentivar o aumento do consumo no país.

Mudanças no cenário internacional sustentam as projeções da estatal. Em 2023, a geopolítica não colaborou. Com a piora na rentabilidade das fazendas ao redor do mundo, a oferta dos grandes exportadores de lácteos ficou reprimida, segundo Lorildo Stock, pesquisador da Embrapa.

A desvalorização do preço do leite foi decisiva também para o aumento das importações brasileiras do produto da Argentina e do Uruguai, onde as cotações estavam 30% e 27% inferiores às praticadas no Brasil, respectivamente. Nos países vizinhos, o custo de produção é 20% menor, o que torna a pecuária leiteira mais competitiva. A crise cambial pressiona ainda mais para baixo o preço dos lácteos argentinos no mercado externo.

Reversão

Stock diz que esse cenário global de queda nos preços parece estar em processo de reversão, ainda que lento. Em outubro de 2023, a manteiga e o leite em pó integral e desnatado apresentaram alta no leilão da GDT, embora abaixo dos preços históricos praticados no período anterior à pandemia. Já os queijos estavam com preços elevados e com viés de baixa.

A conjuntura externa e as medidas fiscalizatórias adotadas no Brasil devem frear as importações do Mercosul. O ritmo já diminuiu no último trimestre de 2023, salientou a Embrapa. Na semana passada, entrou em vigor a alteração no Programa Mais Leite Saudável que limita a renúncia fiscal para laticínios que importam produtos lácteos. A medida deve favorecer o cenário de recuperação do setor em 2024, disse a estatal.

Uma das lições que o setor nacional deve aprender com a crise dos preços é trabalhar para aumentar o consumo per capita de lácteos. Uma das estratégias pode ser o público idoso, que ganhou espaço na pirâmide etária do país. A cadeia produtiva do leite também precisa buscar mais eficiência e escala, com redução de custos e maior resiliência, aponta a pesquisadora da Embrapa Kennya Siqueira.

As soluções também passam pela oferta de novos produtos por parte dos laticínios. “Os estudos têm mostrado que o consumidor está migrando para produtos que entregam mais valor, como, por exemplo, apelo nutricional ou funcional, ou ainda de conveniência, praticidade, sustentabilidade”, afirmou.

Crise de preços

Apesar de o preço do litro do leite pago ao pecuarista brasileiro ter subido 38% entre janeiro de 2020, antes da pandemia, e outubro de 2023, os custos de produção aumentaram 50% no período e abocanharam as sobras que o produtor teria para embolsar, de acordo com a Embrapa.

Segundo o Centro de Inteligência do Leite da estatal (CILeite), em vários Estados pequenos produtores receberam menos de R$ 1,80 por litro de leite, valor insuficiente para remunerar a atividade.

O que prejudicou ainda mais o setor em 2023 foi a queda nos preços justamente no período de entressafra, quando as chuvas diminuem no Centro-Sul do país e reduzem a oferta de leite. Entre abril e julho, o valor pago ao produtor recuou R$ 0,49. “A entressafra costuma trazer algum alívio para o produtor, elevando a margem de lucro, mas no ano passado isso não ocorreu”, explicou o pesquisador da Embrapa Samuel Oliveira.

Com produção menor, as importações cresceram. A oferta elevada pressionou os preços dos principais derivados lácteos no mercado atacadista ao longo do ano. No leite UHT, as cotações caíram de cerca de R$ 5 por litro, em abril, para cerca de R$ 3,80 em novembro. O queijo muçarela seguiu a mesma tendência e caiu de R$ 33 o quilo para R$ 27.

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